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quarta-feira, 4 de julho de 2012

Socialismo fora da gaveta, já !? É mesmo?


O "I" através da sua jornalista Ana Sá Lopes vislumbrou uma geração que quer tirar o socialismo da gaveta.
Já tinha reparado nela. Por cepticismo metódico, limito-me a assinalar a sequência de gerações similares que apresentaram a mesma proposta; a dificuldade da tarefa e a incógnita que consiste em saber se se a gaveta ainda abre em condições. Por outro lado, em abono da geração assinalo a sua coragem e competência que bem precisa já que  qualquer tentativa de enterrar esse híbrido construído por Giddens e Blair  exige uma enorme lucidez . Também  merece  o meu mais sincero mas creio que inútil   apoio.





terça-feira, 3 de julho de 2012

Mais um capítulo de livro, aliás, 2:

Um de João Canavilhas e outro meu. As perplexidades do jornalismo online e a sua relação com a vida cívica.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

HUGO

É preciso, por vezes, meia dúzia de anos para sabermos se um livro ou filme eram uma obra-prima. Há quem diga que Hugo é uma obra-prima. Não vou tão longe. Tem uma direcção artística  excelente, um uso extraordinário da tecnologia de 3D,  excelentes actores em papéis secundários e principais, tem um argumento com alguns buracos desculpáveis e tem, sobretudo, um genuíno amor ao cinema. Para além das referências à cultura popular (de Jules Verne ao Hallo, Hallo, a fantática série inglesa sobre a resistência francesa), inclui, momentos momentos memoráveis nos estúdios de Meliés, delirantes, divertidos e nostálgicos. É um filme «feito para crianças» que arrasa a maior parte dos filmes «feitos para adultos». Apesar de todos os defeitos que lhe possam encontrar, não percam. É muito mais do que se pode dizer sobre as grandes produções americanas nos dias de hoje.

domingo, 12 de fevereiro de 2012







Três grandes livros sobre a Guerra Civil de Espanha. Três escritores viveram os acontecimentos de modos diferentes.
Orwell era um homem de esquerda que desconfiava dos comunistas e descreve com grande rigor intelectual as divisões fraticidas entre as força que lutavam do lado republicano. A sua apreciação das atitudes do PCE já adivinham 1984 e Animal's Farm.

Marlaux era um comunista que trabalhava como Komintern e admirava a disciplina partidária dos  comunistas.Mais tarde foi Ministro de de Gaulle.

Bernanos era integralista, monárquico, leitor de Maurras, ideólogo da extrema - direita francesa e tinha um filho nas tropas franquistas. Com grande seriedade, Bernanos mostra a sua repulsa pelos massacres dos franquistas que testemunha quando se desloca a Espanha na presunção de que ia apoiar "aquela gente", como lhes passou a chamar.  É o livro de um homem traído pelos  seus ideais. Paradoxalmente, é o que dá a imagem mais terrível do General Franco 
Três homens apanhados pela História no laboratório ibérico  da II Guerra.  
Como só os vencedores foram absolvidos pelo regime, escrevo sobre estes livros a pensar na injustiça cometida sobre Baltazar Garçón.

 . 

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Os cochichos dos Ministros das Finanças

Por vezes quando andamos a explicar aos alunos o que são frames - um termo que se usa muito na investigação em comunicação - acaba por se encontrar formas de descodificar a nossa própria  linguagem académica: "Homem, onde uns vêem uma coisa outros vêm outra", disse uma vez, um pouco impaciente. Um exemplo conhecido é o do copo meio cheio e meio vazio ou ainda o do jornal que noticiou que o medicamento salvou 50% dos doentes confrontado com outro que dizia que matara 50% dos mesmos pacientes.  Na verdade, o fenómeno é mais complexo. Por exemplo, em televisão pode-se usar, ao filmar a mesma cena, uma perspectiva que escolhe alguns elementos e deixa de fora outros, o que, obviamente, gera mensagens diferentes. Frames significa enquadramentos, está claro.Não vou arengar mais sobre o tema que tem muitos detalhes que não vêm ao caso.
  Um belo exemplo é dos cochichos dos Ministros das Finanças: "olhe, vocês são uns rapazes direitinhos,  a gente até está disposta a fazer reajustamentos no programa de ajuda financeira a Portugal". dizia um. "Obrigadinho", dizia o outro, muito solícito. (Ainda equacionei a possibilidade de sugerir ao nosso   Ministro que levasse uma cesta de Pastéis de Molho da Covilhã ao Ministro das Finanças alemão. Saia de lá com um plano Marshall  e subsídios a fundo perdido)
Consequência, o Ministro não gostou que a sugestão fosse mencionada em público e , claro, veio reafirmar a dedicação do Governo às sugestões da Troika. "A gente não quer cá facilidades", disse mais ou menos o Doutor Gaspar.  Parecia claro que a rigidez das medidas de austeridade afinal também tem origem no Governo.  Também é uma opção política e ideológica   (Como muito bem escreve o "I", a opinião pública alemã, que vota e escolhe Governos, gosta menos da ideia de um reajustamento do que os mercados que parecem não ver a ideia com maus olhos). Durante uns minutos, quiçá um dia, o Ministro das Finanças parecia um daqueles gatos  escondidos, com o rabinho de fora.
Eis senão que entra em cena uma outra interpretação habilidosa: "Ná", diu o Ministro Relvas com serenos olhos cândidos, " o que o alemão quis fazer foi um elogio ás nossas politicas. Nem vejo outra interpretação possível".  Numa televisão ao lado, o re-aparecido Ministro dos Negócios Estrangeiros repetia ipsis verbis a mesma explicação. Para quem ande atento, a mensagem tinha sido delineada e bem coordenada. Em vez de explicar as palavras do titular alemão o melhor será dizer que ele nos elogiou.
As mesmas palavras suscitaram interpretações diferentes. Enquanto as oposições enfatizavam  que o Governo pode estar a ser mais papista do que o papa,  o mesmo  Governo começou a falar a a uma só voz acentuando  que o elogio significava que "estamos no bom caminho". Delineados os argumentos,é só garantir quem tem mais acesso aos meios de comunicação social.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

 Em Portugal começou a florir um discurso contra a pieguice que sonha com um português  liberal, empreendedor e musculado  que , nas conversas de esquina, manda impropérios e  compara o Estado Social à sopa dos pobres.   Espero que os que assim falam  contra as pieguices mostrem o seu curriculum antes de se darem ares de matador.  Para que não haja suspeitas  de favor estatal ou partidário ou de arrivismo protegido por compadrio. Espero que não considerem nem  a cultura nem o Ensino Público nem o Serviço Nacional de Saúde uma pieguice.
O Mariacci começou por ser uma personagem lendário de um México violento .revolucionário. Nos filmes de Roberto Rodriguez tornou-metáfora, talvez abusiva, do macho latino silencioso, de olhar matador, rápido na pistola e firme nas decisões. Era a versão hispânica dos personagens de Clint Eastwood e serviu de imaginário a alguns liberais que olham para a sociedade como uma espécie de última fronteira do Oeste Selvagem.
Espero que esta forma de Mariacci luso não esconda um arrivista gelatinoso.   Há matadores que só são ferozes quando estão respaldados por uma entidade externa, um xerife de outra cidade.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

A violência


É absolutamente impensável a quantidade de violência que se pode colocar nas mais insignificantes actividades humanas.  O Egito incendiou a alma num jogo de bola.
E há a violência verbal e escrita. O espaço público  de uma forma geral está menos conceptual e mais irracional.   Há comentadores  que tem a  a dimensão de um mosquito e o fanatismo de um talibã.  A democracia fez-se com base no argumento como forma de dirimir o conflito, sem recurso à guerra.  É uma enorme exigência para a razão.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Parado na estação deserta....

As estações podem ser o lugar da mais trágica solidão, penso eu. Ali se encontram tristes a sonhar com o sonho que não se realizou: o Sebastião que não veio, o livro que não escreveram, o mestrado que nunca mais terminava, o partido que não cresceu,  a pequenez sempre a encolher, o comboio que nunca mais parte. Pra ali estão à espera da boleia ou da gratidão pela encomenda.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

As aventuras do Governo no Reino das redes sociais.

O 1º Ministro entrou nas redes sociais. A página de Facebook chama-se O meu movimento.Aqui há uns tempos assisti a algumas observações empíricas sobre páginas sociais promovidas por organizações partidárias de juventude e organizações expontâneas de causas e movimentos cívicos. As primeiras caracterizavam-se pelo deserto de ideias e pela celebração de uma ritual que um saudoso 1º Ministro ( não, não era o meu conterrâneo José Sócrates) chamava de "Vivas à Maria e ao Manel." As segundas tinham ideias mas estavam eivadas de um derrotismo cínico que se podia categorizar, igualmente de modo jocoso: "Abaixo qualquer Maria e qualquer Manel". A celebração e a indignação são itens políticos. Porém, serão úteis?  Entre a propaganda e o derrotismo há espaço para outra coisa?  Duvido do estilo da página Facebook  do 1º Ministro . O simples facto de se auto-intitular de governamental ( há muitas formas de dizer o mesmo) e se colocar numa postura de informalidade pouco convincente revela que a classe politica não sabe usar a difícil arte de trabalhar nas redes sociais. Eu também não disponho dessa arte mas recomendo mais criatividade. O Facebook é um ambiente ingrato para a politica institucional.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Spin Doctors: nas sombras da política

Como investigador de Comunicação Politica,  o fenómeno do spin doctoring interessa-me. Os spin doctors são assessores de comunicação geralmente ocultos que  geram nos media informação favorável para as entidades com que trabalham e transmitem informação que prejudica os adversários dessas identidades. Estrela Serrano, Professora da ESCS dedica algum tempo à investigação deste interessante fenómeno e diz que ele se pode induzir a partir de notícias não atribuídas. Se as fontes  não se conhecem, então quem gerou  a notícia? Descontada a hipótese de ela resultar de uma aprofundada investigação jornalística ( o que, a ter-se verificado, se notaria na existência de fontes identificáveis), descontada também  a hipótese de fenómenos paranormais de propagação telepática da informação,sobram  eles os spins, trabalhando na sombra propaganda facts políticos.
Contrariamente ao que pensa um distinto investigador meu antigo aluno, que dá pelo nome de Helder Prior e, que, para bom nome da UBI, reflecte com muito acerto sobre estes temas, não acredito que o spin se insira no modelo de propaganda. O modelo de propaganda, identificado nos anos 30, implica a existência de arautos bem conhecidos,o matraqueamento macisso das massas com slogans uniformes e claramente intencionais.  Um investigador escocês chamado Brian McNair clama que nós hoje vivemos no modelo comunicacional do caos: as mensagens dos grandes media são descodificadas nas redes sociais, há uma multiplicidade de plataformas é infinita (desde os jornais aos telemóveis e aos Ipads), a televisão por cabo espalha-se pelo mundo. Na Tunísia, o governo ditatorial censurou a internet dentro das suas fronteiras.Porém,os jornalistas da AlJazzer iam buscar os vídeos das manifestações feitos por "amadores" usando telemóveis e passavam-nos no interior da Tunísia, aonde o canal chegava via cabo a 50 % dos lares  daquele país. A mensagem da oposição saía pela porta e entrava pela janela. Dizem que a Câmara da Covilhã exerce um controlo severo  sobre a imprensa e a rádio da Covilhã. Porém, este controlo é curtocicuitado sistematicamente por blogues como este ou o Carpinteira (que até se referiu a mim como um poder fáctico, que obviamente agradeço,mas é manifestamente exagerado)  ou por jornais do concelho vizinho. Por isso, surgem novas profissões: em lugar da boa velha propaganda,aparecem profissões como os spins, gestores de redes sociais e outros. Ou seja, a propaganda e a vontade controlo existem mas já não se desenvolvem num cenário unilateral de propaganda de um único centro de poder: é o universo dos boatos, da contra-informação, das máscaras, dos silêncios geridos e das censuras ocultas. Foi por isso ( e não por egocentrismo) que criei  sempre blogues,personalizados, individuais e com fotografia.  Foi um risco calculado de exposição mas também de auto-responsabilização.
Um caso óbvio de spin é a recente propagação de notícias que dão conta do distanciamento de Cavaco em relação a Passos Coelho e Vitor Gaspar. Espalhados pelo Público e pelo Expresso encontramos os lamentos lancinantes das pessoas associadas a Cavaco Silva contra a euforia ultra-liberal de Coelho, de Vitor Gaspar e Álvaro Santos Pereira.
Este impeto social democrata do Presidente da República tem três significados, na minha modesta opinião:
a) O Presidente quer desviar as atenções da sua mensagem desastrada sobre as dificuldades que passa com as suas modestas reformas.
b) O Presidente quer ganhar espaço de manobra politica para se distanciar dos duros do PSD, aparecendo como moderador e moderado.
c) Porém, a estratégia comunicacional também é uma estratégia de poder. O Presidente da República não quer ser a rainha da Inglaterra, e quer envolver mais o PS e a UGT neste círculo. Cavaco Silva teve uma estratégia clara: correr com Sócrates, eleger o PSD e presidir a uma maioria politicamente favorável sem nunca deixar de lado a existência de pontes com o PS enquanto almofada de garantia.  Se Gaspar e Coelho falharem,   como as decisões europeias cada vez mais indiciam,  as cadeiras do poder podem transformar-se em cadeiras eléctricas.   A comunicação política não é só marketing e quando alguém manda dizer que se distanciou de alguém, mesmo sem querer, distancia-se mesmo.
Resta-me desejar ao Presidente que não confie no Dr. Fernando Lima para estas andanças. Um bom spin  é discreto, fantasmagórico e indetectável. Nos tempos que correm em que as redes, os blogues e as televisões concorrem, a propaganda não é um slogan: é um sussurro ao qual se segue, claro, o barulho.

sábado, 28 de janeiro de 2012

A História

A história não é feita de determinismos mas as conjunturas têm alguma dose de previsibilidade. Leiam-se neste link alguns cenários previsíveis para a Europa.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Considerações sobre o tempo: Pedro e o Lobo, a esquerda e a comunicação política.

Quem conhece a história popular sobre Pedro e o Lobo  lembra-se da mensagem. Não se deve ser alarmista porque se desvaloriza o peso dos avisos. Um semáforo vermelho pode acender antes do tempo.  Um dia, percebi que os partidos de extrema esquerda são como semáforos vermelhos: anunciam o perigo muito antes de ele ocorrer. Pode ser útil mas há o risco de os condutores deixarem de confiar nos sinais luminosos.
O PCP e os movimentos e partidos congregados no BE anunciaram desde os anos 70 e 80  " a perda de direitos sociais" e o "ataque às conquistas de Abril".  Na sua retórica específica,  anunciavam o fim do regime nascido dos compromissos efectuados no fim do PREC, plasmados na Constituição de 1976.
Um dia, o lobo chegou e entrou mesmo no redil. A população estava cansada de ser avisada pelo Pedro e já estava  preparada para aceitar a chegada do lobo, desde que fosse uma chegada "negociada".  Os automobilistas cansaram-se dos sinais vermelhos avariados e arriscaram entrar na estrada a destempo: se o sinal não é fiável ainda podemos avançar.  Nessa altura, PCP e BE começaram a ter alguma  espécie de razão na análise mas parece que ninguém lhes liga.  Afinal, a história do Pedro e do Lobo é uma aula de Comunicação Politica.

Qual dos Ministros é mais deficitário no uso dos neurónios?

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