Real Clear Politics é um portal de notícias muito focado nas eleições americanas e que recolhe artigos de muitos lados. Um manual para acompanhar tendências e para conhecer uma cobertura noticiosa de campanha.
Eis as últimas sondagens. e a previsão do colégio eleitoral que elegerá o Presidente.
Já o site Politico (tal e qual como se chama) é um belo exemplo da cobertura que alguns chama, horse races frame. Isso mesmo "enquadramento corrida de cavalos". Os truques, as análises, o spin, os argumentos são sob o ponto de vista de quem ganhou e perdeu.
Creio que um site destes mereceria ser lançado na Covilhã. Quais são os mandantes a que se referia um recente politico confrontado com um revez interno? Com quem se não senta ele na mesa? Que pensará Francisco Castelo Branco da reação do seu companheiro de partido? Quem morreu a pensar?
sexta-feira, 18 de maio de 2012
terça-feira, 15 de maio de 2012
A humilhação
Há quem suponha que a inteligência significa elitismo:
Cito (e subscrevo grande parte ) José Pacheco Pereira.
(O Pingo Doce)"Procedeu como se no meio
de um ajuntamento qualquer, de "manifestação", seja pelo que for,
atirasse um molho de moedas para mostrar que era fácil levar as pessoas a andar
pelo chão a apanhá-las, quebrando o ajuntamento. As pessoas ficam melhor com o
dinheiro que apanharam, mas sabem muito bem que isso significou andar de gatas
pelo chão e isto humilha-as.
O modo como se escolheu o 1.º de Maio, o mais
politizado dos feriados portugueses, também o mais "social" dos
feriados portugueses, o único que está associado a uma simbologia de luta e de
reivindicação dos trabalhadores, para fazer isto tem um significado que não
pode ser ignorado. O modo como as coisas correram não foi muito diferente de
abrir promoções de 50% na carne na Sexta-feira Santa, o que naturalmente seria
visto como uma provocação desnecessária aos crentes que aceitam as obrigações
dietéticas da sua religião.
Para além desta
desnecessária provocação, pode até haver quem pense, entre os responsáveis
pelos descontos de 50%, que se tratou apenas de um acto altruísta em tempos de
crise, mas então não mediram a amplitude da necessidade que fez a corrida
tumultuosa às prateleiras, ajudando a criar o primeiro "assalto" a
mercearias do pós-25 de Abril, émulos dos que ocorreram nos anos de 1917-9,
onde tais assaltos foram habituais no fim da Grande Guerra. Os pobres que correram lá
pelos 50% para comprar "géneros de primeira necessidade", com o parco
dinheiro do mês de Abril ainda fresco no início de Maio, não se escondem, nem
têm vergonha, que é um produto que nunca tiveram na vida, um produto para os
ricos que têm espaço nas casas, que não vivem uns em cima dos outros. Por isso,
não têm qualquer problema em exibir as suas compras e a sua rudeza de
"canalha". Vi com atenção muitas fotografias e filmes do
"assalto" aos supermercados e lá estão muitos deles, os pobres de
sempre, cuja roupa, modos e postura são imediatamente reconhecíveis. Muitas
mulheres, barulhentas e "desavergonhadas", com a falta de compostura
que caracteriza sempre as "classes baixas", e que muito horroriza
"os de cima". Os mais silenciosos entre esses pobres eram negros dos
subúrbios e dos bairros sociais, emigrantes brasileiros, e ciganas, com a sua
mole de filhos e olhar desafiador.Estes pobres consomem.
Isto pelos vistos é uma surpresa para alguns meninos finos, que acham que ser
pobre é viver numa coluna de estatística e para quem aparecerem aos magotes num
supermercado a comprar fraldas mostra que "afinal" a crise não é
assim tão funda ou então que há subsídios a mais. As televisões, cujos
repórteres estão ali como em Marte, são alheios ao sentido do que se está a
passar, porque também não é essa a sua "condição" social. Faziam
todas as perguntas erradas, fascinados pelos incidentes e pelo tumulto, pelo
bom espectáculo televisivo. Tentavam obter declarações sobre se "tinha
valido a pena" estar três, quatro, cinco, seis horas a arrastar pilhas de
compras sem carrinhos até uma caixa onde esperavam séculos para pagar, e nem
sequer percebiam por que razão algumas pessoas mais bem vestidas fugiam de dar
a cara e se escapavam das câmaras, cabisbaixas. Essas pessoas tinham
vergonha de exporem a sua necessidade, porque só se espera seis horas numa
compra".
A Decisão
Valha-nos algo, Deus ou o bom senso ou o humor.
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Poder Local: Mudanças de Paradigma
É preciso conhecer o novo quadro económico em que se movimentam as autarquias e as competências que poderá desempenhar. Será necessário discutir a reorganização administrativa. Será necessário encarar a eventual redução de dirigentes e quadros autárquicos.
Digam alguma coisa de sério que não faça rir e não passe pela pura eliminação da despesa (tarefa para os contabilistas menos imaginativos).
Eis alguns extractos do Livro Verde da Reorganização Administrativa (Quem quiser pode ler aqui) :
- A Reforma da Administração Local terá quatro eixos de actuação: o Sector Empresarial
Local, a Organização do Território, a Gestão Municipal, Intermunicipal e o
Financiamento e a Democracia Local.
-É essencial caminhar para orçamentos de base zero, ganhar escala de actuação na
gestão corrente e nos investimentos, mudar o modelo de governação autárquica,
promovendo mais transparência, simplificar as estruturas organizacionais, promover a
coesão territorial, reduzir a despesa pública e melhorar a vida dos cidadãos.
-Julga-se imprescindível rever o regime de financiamento das autarquias locais e, por isso, será
constituído um grupo de trabalho para rever a Lei das Finanças Locais.
Elaborar um diagnóstico sobre o número de entidades que compõem o
actual Sector Empresarial Local (SEL), promovendo a redução do número
de entidades e adequando o Sector à sua verdadeira missão estratégica,
de acordo com a realidade local e as suas necessidades específicas;
- ealizar uma análise do actual mapa administrativo, promovendo a
redução do actual número de Freguesias (....)
Reformatar as competências dos diferentes níveis das Divisões
Administrativas, estabelecendo novos quadros de actuação no âmbito
dos Municípios, CIM e outras Estruturas Associativas, procurando
reforçar atribuições e competências e promovendo a eficiência da gestão
pública com o intuito de gerar economias de escala no seu
funcionamento;
Analisar e regular os diferentes níveis e tipologias de Associativismo
Municipal, criados ao longo de 20 anos, no pressuposto de que não
deverão sobrepor-se nem repetir-se nas suas funções.
Promover o debate relativo a um novo enquadramento legal autárquico:
Lei Eleitoral para os Órgãos das Autarquias Locais;
Eleitos Locais; Formação e Composição dos Executivos;
Membros de Apoio aos Executivos;
Estruturas Orgânicas e Dirigentes Municipais;
Competências dos Executivos Municipais;
Competências das Assembleias Municipais;
Atribuições e Competências das Freguesias.
Como não sou ceguinho vejo que o documento é suficientemente lato para muitas interpretações tendo algumas orientações com que concordo. Talvez seja uma oportunidade para acabar com populismos desvairados e outros isaltismos felgueirenses ou similares e, nem assim tão distantes. Por outro lado, suspeito que regras novas não se fazem com gente velha. Não estou afalar da idade mas dos víciozinhos. Se a estes desafios legislativos juntarmos a escassez de transferências, a ausência de crédito e a gestão do curto prazo das dívidas aos credores, que vai sobrar?
O Provedor do Cidadão , especialmente, o Orçamento Participativo, poderão ser boas práticas: envolver os cidadãos na gestão dos recursos em tempo de crise - é o tema de um Livro de Tiago Peixoto, meu amigo brasileiro que asessoreia o Banco Mundial. Sustentabilidade, capacitação, novas práticas associativas. Porém, como acrescenta mudanças não se fazem com velhos hábitos nem com atores desinteressados da mesma. Será que os Partidos já se aperceberam disso: ou , como dizia Lampeduza, "é preciso mudar um bocadinho para que tudo fique na mesma?".
Digam alguma coisa de sério que não faça rir e não passe pela pura eliminação da despesa (tarefa para os contabilistas menos imaginativos).
Eis alguns extractos do Livro Verde da Reorganização Administrativa (Quem quiser pode ler aqui) :
- A Reforma da Administração Local terá quatro eixos de actuação: o Sector Empresarial
Local, a Organização do Território, a Gestão Municipal, Intermunicipal e o
Financiamento e a Democracia Local.
-É essencial caminhar para orçamentos de base zero, ganhar escala de actuação na
gestão corrente e nos investimentos, mudar o modelo de governação autárquica,
promovendo mais transparência, simplificar as estruturas organizacionais, promover a
coesão territorial, reduzir a despesa pública e melhorar a vida dos cidadãos.
-Julga-se imprescindível rever o regime de financiamento das autarquias locais e, por isso, será
constituído um grupo de trabalho para rever a Lei das Finanças Locais.
Elaborar um diagnóstico sobre o número de entidades que compõem o
actual Sector Empresarial Local (SEL), promovendo a redução do número
de entidades e adequando o Sector à sua verdadeira missão estratégica,
de acordo com a realidade local e as suas necessidades específicas;
- ealizar uma análise do actual mapa administrativo, promovendo a
redução do actual número de Freguesias (....)
Reformatar as competências dos diferentes níveis das Divisões
Administrativas, estabelecendo novos quadros de actuação no âmbito
dos Municípios, CIM e outras Estruturas Associativas, procurando
reforçar atribuições e competências e promovendo a eficiência da gestão
pública com o intuito de gerar economias de escala no seu
funcionamento;
Analisar e regular os diferentes níveis e tipologias de Associativismo
Municipal, criados ao longo de 20 anos, no pressuposto de que não
deverão sobrepor-se nem repetir-se nas suas funções.
Promover o debate relativo a um novo enquadramento legal autárquico:
Lei Eleitoral para os Órgãos das Autarquias Locais;
Eleitos Locais; Formação e Composição dos Executivos;
Membros de Apoio aos Executivos;
Estruturas Orgânicas e Dirigentes Municipais;
Competências dos Executivos Municipais;
Competências das Assembleias Municipais;
Atribuições e Competências das Freguesias.
Como não sou ceguinho vejo que o documento é suficientemente lato para muitas interpretações tendo algumas orientações com que concordo. Talvez seja uma oportunidade para acabar com populismos desvairados e outros isaltismos felgueirenses ou similares e, nem assim tão distantes. Por outro lado, suspeito que regras novas não se fazem com gente velha. Não estou afalar da idade mas dos víciozinhos. Se a estes desafios legislativos juntarmos a escassez de transferências, a ausência de crédito e a gestão do curto prazo das dívidas aos credores, que vai sobrar?
O Provedor do Cidadão , especialmente, o Orçamento Participativo, poderão ser boas práticas: envolver os cidadãos na gestão dos recursos em tempo de crise - é o tema de um Livro de Tiago Peixoto, meu amigo brasileiro que asessoreia o Banco Mundial. Sustentabilidade, capacitação, novas práticas associativas. Porém, como acrescenta mudanças não se fazem com velhos hábitos nem com atores desinteressados da mesma. Será que os Partidos já se aperceberam disso: ou , como dizia Lampeduza, "é preciso mudar um bocadinho para que tudo fique na mesma?".
