Tradução

domingo, 13 de maio de 2012

MERKL: DERROTA HISTÓRICA EM ELEIÇÕES LOCAIS

Contra todas as previsões que incluíam a descida do SPD e dos Verdes e a possibilidade de uma grande coligação, SPD/CSU, os partidos da esquerda tradicional saem reforçados na Renânia do Norte-Westfália enquando Die Linke (esquerda ligada a Oskar Lafontaine) desce e liberais sobem. Quem leva uma tareia monumental é Angela Merkel.
Até o  Jornal de Negócios que geralmente evidencia alguma simpatia para com  a liderança germânica não escapou a evidência da brutal punição infligida à Chanceler. A expressão «derrota histórica» é o sinónimo elegante que os jornais utilizam para falar de "tareia monumental".
Dere forma algo surpreendente, Manuel Monteiro, no termo do seu Doutoramento em Ciência Politica por sua vez cita Jurgen Habermas (que considera um grande filósofo marxista)em entrevista ao Público para constatar o óbvio: o défice democrático que acompanhou o processo europeu.
Habermas contra todas as previsões  que apontavam para um declínio de influência -  graças a muito erros de avaliação e de reflexão  - está a obter  o reconhecimento tardio das suas teses sobre o constitucionalismo europeu. : o ensaio sobre a constituição da Europa, cujas ideias básicas podem ser lidas  aqui.. Porém, também surgem novas categorias de análise. O pensamento neo-kantiano parece, apesar de tudo escasso, quando se advinham processos de radicalização. 
Apesar de tudo, parece que será preciso contar com os alemães para resolver os problemas criados pela ...Alemanha. Tudo o resto será pouco sensato.

Satie


Farromba descarta PSD

Ao Portal da Covilhã, Pedro Farromba diz que "não tem intenção de sercandidato à presidência do PSD da Covilhã “a não ser que as circunstâncias o imponham”

Mudanças

improvável transformou-se em realidade. Francisco Castelo Branco é o novo presidente da concelhia da Covilhã do PSD. O candidato da lista B obteve 97 votos dos 164 militantes que votaram. A lista A, liderada por Bernardino Gata recolheu 64 votos. Registaram ainda 2 votos em branco e um nulo, num universo de 191 militantes. Vantagens da democracia: o imprevisto e a mudança. Há um suave perfume a mudança de «regime».
A propósito de mudança, preparara-se o o PS para tentar fazer a sua própria. Sob o lema "Mais PS/Pela Covilhã", José Armando Serra dos Reis apresentou a candidatura à presidência da Comissão Política Concelhia, cujo ato eleitoral está marcado para o próximo dia 1 de Junho. 

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

HUGO

É preciso, por vezes, meia dúzia de anos para sabermos se um livro ou filme eram uma obra-prima. Há quem diga que Hugo é uma obra-prima. Não vou tão longe. Tem uma direcção artística  excelente, um uso extraordinário da tecnologia de 3D,  excelentes actores em papéis secundários e principais, tem um argumento com alguns buracos desculpáveis e tem, sobretudo, um genuíno amor ao cinema. Para além das referências à cultura popular (de Jules Verne ao Hallo, Hallo, a fantática série inglesa sobre a resistência francesa), inclui, momentos momentos memoráveis nos estúdios de Meliés, delirantes, divertidos e nostálgicos. É um filme «feito para crianças» que arrasa a maior parte dos filmes «feitos para adultos». Apesar de todos os defeitos que lhe possam encontrar, não percam. É muito mais do que se pode dizer sobre as grandes produções americanas nos dias de hoje.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Edgar Hoover: o filme


 Fui ver outra biografia (biopic como dizem) de J. Edgar Hoover. O filme é melhor do que o biopic de Tatcher , o personagem é muito mais detestável. A  direcção do Clint Eastwood e o excelente argumento ajudam a olhar para a América do século XX e para a história triste deste personagem demasiado humano, demasiado mesquinho. Hoover  quis fazer uma lenda sobre si próprio enquanto alimentava uma carreira de escutas secretas , devassas da vida privada e perseguição de todos os que lhe pudessem fazer sombra.  A  história da fundação do FBI exibe os seis lados mais sombrios inclusive principlamente no plano político. Intelectualmente honesto até porque o realizador tem tendências conservadoras. As interpretações não são comparáveis às de Meryl Streep mas têm um nível bastante bom.  Leonardo DiCaprio já é muito mais do que uma carinha laroca como era no Titanic. E está bem rodeado.

domingo, 12 de fevereiro de 2012







Três grandes livros sobre a Guerra Civil de Espanha. Três escritores viveram os acontecimentos de modos diferentes.
Orwell era um homem de esquerda que desconfiava dos comunistas e descreve com grande rigor intelectual as divisões fraticidas entre as força que lutavam do lado republicano. A sua apreciação das atitudes do PCE já adivinham 1984 e Animal's Farm.

Marlaux era um comunista que trabalhava como Komintern e admirava a disciplina partidária dos  comunistas.Mais tarde foi Ministro de de Gaulle.

Bernanos era integralista, monárquico, leitor de Maurras, ideólogo da extrema - direita francesa e tinha um filho nas tropas franquistas. Com grande seriedade, Bernanos mostra a sua repulsa pelos massacres dos franquistas que testemunha quando se desloca a Espanha na presunção de que ia apoiar "aquela gente", como lhes passou a chamar.  É o livro de um homem traído pelos  seus ideais. Paradoxalmente, é o que dá a imagem mais terrível do General Franco 
Três homens apanhados pela História no laboratório ibérico  da II Guerra.  
Como só os vencedores foram absolvidos pelo regime, escrevo sobre estes livros a pensar na injustiça cometida sobre Baltazar Garçón.

 . 

Pietá Negra


A pietá muçulmana é comovente, como toda a dor das mães. Mas esta pietá envolta em negro lembra-me outras dores para além da dor imediata da sua perda: a da condição femininina no mundo muçulmano. Acho que  a religião em geral não lidou bem com as mulheres, apesar da posição central de Maria no mundo cristão.. Mas o mundo muçulmano acentuou  este lado discriminatório.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Um profissional tranquilo

No jogo com o Nacional, Rinaudo entrou  com campo com a garra de um jogador sem mágoas físicas. Chegar de uma lesão prolongada, entregar-se ao jogo e marcar um golo, em campo rival e num colectivo psicologicamente abalado,  revela uma determinação invulgar.  Ainda por cima, vinda de um jovem que diz não apreciar a velocidade do ambiente envolvente do futebol (as celebridades, o stress da fama), que apresenta um perfil  sóbrio de quem tudo encara ( as lesões e os triunfos) como se fossem uma naturalidade da sua profissão.
Sou sportinguista e, claro, podem dizer que esta apreciação resulta apenas dessa circunstância. Conheço benfiquistas acérrimos e portistas empedernidos que pensam o mesmo, talvez sem o mesmo ardor.  Rinaudo será tudo menos «piegas».
Porém, este exemplo não vale para o mercado laboral nem para extrair metáforas sociais. Rinaudo ganha 480mil euros por ano. Depois da retirada, terá uma almofada mais do que  generosa para relançar outros voos quando tiver apenas trinta e pucos anos. O facto de ser um profissional que honra o seu compromisso só lhe fica bem. E um exemplo positivo mas numa carreira de excepção.
  
Os cochichos dos Ministros das Finanças

Por vezes quando andamos a explicar aos alunos o que são frames - um termo que se usa muito na investigação em comunicação - acaba por se encontrar formas de descodificar a nossa própria  linguagem académica: "Homem, onde uns vêem uma coisa outros vêm outra", disse uma vez, um pouco impaciente. Um exemplo conhecido é o do copo meio cheio e meio vazio ou ainda o do jornal que noticiou que o medicamento salvou 50% dos doentes confrontado com outro que dizia que matara 50% dos mesmos pacientes.  Na verdade, o fenómeno é mais complexo. Por exemplo, em televisão pode-se usar, ao filmar a mesma cena, uma perspectiva que escolhe alguns elementos e deixa de fora outros, o que, obviamente, gera mensagens diferentes. Frames significa enquadramentos, está claro.Não vou arengar mais sobre o tema que tem muitos detalhes que não vêm ao caso.
  Um belo exemplo é dos cochichos dos Ministros das Finanças: "olhe, vocês são uns rapazes direitinhos,  a gente até está disposta a fazer reajustamentos no programa de ajuda financeira a Portugal". dizia um. "Obrigadinho", dizia o outro, muito solícito. (Ainda equacionei a possibilidade de sugerir ao nosso   Ministro que levasse uma cesta de Pastéis de Molho da Covilhã ao Ministro das Finanças alemão. Saia de lá com um plano Marshall  e subsídios a fundo perdido)
Consequência, o Ministro não gostou que a sugestão fosse mencionada em público e , claro, veio reafirmar a dedicação do Governo às sugestões da Troika. "A gente não quer cá facilidades", disse mais ou menos o Doutor Gaspar.  Parecia claro que a rigidez das medidas de austeridade afinal também tem origem no Governo.  Também é uma opção política e ideológica   (Como muito bem escreve o "I", a opinião pública alemã, que vota e escolhe Governos, gosta menos da ideia de um reajustamento do que os mercados que parecem não ver a ideia com maus olhos). Durante uns minutos, quiçá um dia, o Ministro das Finanças parecia um daqueles gatos  escondidos, com o rabinho de fora.
Eis senão que entra em cena uma outra interpretação habilidosa: "Ná", diu o Ministro Relvas com serenos olhos cândidos, " o que o alemão quis fazer foi um elogio ás nossas politicas. Nem vejo outra interpretação possível".  Numa televisão ao lado, o re-aparecido Ministro dos Negócios Estrangeiros repetia ipsis verbis a mesma explicação. Para quem ande atento, a mensagem tinha sido delineada e bem coordenada. Em vez de explicar as palavras do titular alemão o melhor será dizer que ele nos elogiou.
As mesmas palavras suscitaram interpretações diferentes. Enquanto as oposições enfatizavam  que o Governo pode estar a ser mais papista do que o papa,  o mesmo  Governo começou a falar a a uma só voz acentuando  que o elogio significava que "estamos no bom caminho". Delineados os argumentos,é só garantir quem tem mais acesso aos meios de comunicação social.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

A mensagem de Francisco Pimentel ao PSD da Covilhã publicada esta semana no JF  merecia ser ouvida  e comentada porque, neste estado de torpor induzida pela toma colectiva de chá de valeriana, continua  irreverente e lúcido.
Francisco Pimentel louva o empreendorismo dos industriais covilhanenses e desmente algumas ideias feitas. Por testemunho  e algum estudo,  sei  de dirigentes sindicais e de operários  dos anos 20 que se tornaram empresários.  Muitos destes industriais vieram do nada e pouco mais possuíam do que boas ideias no tempo certo .Alguns  tinham coragem politica e afirmavam a sua autonomia perante o poder politico. Muitos  não obedeciam ao ruralismo ideológico que emanava de Santa Comba. .
Porém, também é preciso lembrar um operariado bem informado e  participativo em que o «espírito de classe» não contrariava a ambição individual.  E convirá, também,  não esquecer que  a pujança  da Covilhã enquanto cidade se fazia com esquecimento das zonas rurais do Concelho,donde provinham os migrantes internos e externos. A Covilhã do século XX só chegou ao resto do Concelho, depois do 25 de Abril, com intervenção  pública.
Onde estou em desacordo é que a retoma da pujança da Covilhã se possa dever a este governo do PSD.  O empreendorismo e as sociedades civis não dependem só de um Governo, de nenhum.   Bem podiam ter esperado os industriais da Covilhã.  Salazar gostava tanto de empreendedores como Maomé de toucinho. Por outro lado, o que aconteceu até aos anos 80 nesta cidade é irrepetível. O interior de hoje só sobreviverá de duas formas: quando as grandes cidades se tornarem tão insuportáveis que as próprias populações ou parte delas  invertam o sentido migratório e quando se atraírem capitais. Não me parece que qualquer das duas coisas se verifique sem alguma forma  de esforço público.  
 A sociedade civil não é um produto de emanação metafísica. Para além da  vontade, é preciso a esperança e o ambiente cultural , demográfico e económico que a favoreçam.  É preciso circulação de dinheiro. Com a receita adoptada, isso leva muito tempo. Ora, como dizia o velho Keynes, a longo prazo, estamos mortos.  Pior ainda, sem nascimentos que nos substituam.
A Covilhã precisa de uma sustentabilidade económica que vá alem do sector dos serviços. A construção civil está parada. A desertificação  cresce. O ensino superior está em estagnação. O turismo precisa de uma abordagem mais ambiciosa . Não se compadece com  birras .  Houve uma altura em que receei  que surgissem  mais  entidades de turismo do que turistas. Agora,a decisão fica em Coimbra. Ora suspeito, que na CCDR sabem menos sobre a Covilhã do que  Lisboa. Vale a pena ver esta rota de museus da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Centro: não há referência a um espaço museológico na Covilhã-Cidade. Nem o Museu dos Lanífícios  já premiado várias vezes. Há referência à capela de Santo Cristo do Teixoso, ao Museu Judaico de Belmonte e ao Museu de Arte Sacra do Fundão. Ora estas últimas são  referências correctas e ainda bem que são feitas. As omissões é que não são de cinco estrelas.
Diagnóstico social da Covilhã: a crise não dorme. Apesar de estranhar as ausência de algumas entidades no diagnóstico social da Covilhã- sindicatos, associações patronais, Centro de Emprego, UBI não são citados na notícia do Jornal do Fundão sobre o diagnóstico social da Covilhã-  sente-se que não há espaço para optimismos: pobreza, desemprego, baixa qualificação. Acrescentaria que, no essencial, estas matérias não são referidas nos debates intra e inter -partidários sobre escolha de candidatos. Numa carta que escrevi perguntei pelo debate de ideias. Em abono da verdade, também Francisco Pimentel tem aludido a estas questões. De resto é o silêncio.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O «caça-piegas», o pistoleiro mais viril a Oeste de Massamá.
 Em Portugal começou a florir um discurso contra a pieguice que sonha com um português  liberal, empreendedor e musculado  que , nas conversas de esquina, manda impropérios e  compara o Estado Social à sopa dos pobres.   Espero que os que assim falam  contra as pieguices mostrem o seu curriculum antes de se darem ares de matador.  Para que não haja suspeitas  de favor estatal ou partidário ou de arrivismo protegido por compadrio. Espero que não considerem nem  a cultura nem o Ensino Público nem o Serviço Nacional de Saúde uma pieguice.
O Mariacci começou por ser uma personagem lendário de um México violento .revolucionário. Nos filmes de Roberto Rodriguez tornou-metáfora, talvez abusiva, do macho latino silencioso, de olhar matador, rápido na pistola e firme nas decisões. Era a versão hispânica dos personagens de Clint Eastwood e serviu de imaginário a alguns liberais que olham para a sociedade como uma espécie de última fronteira do Oeste Selvagem.
Espero que esta forma de Mariacci luso não esconda um arrivista gelatinoso.   Há matadores que só são ferozes quando estão respaldados por uma entidade externa, um xerife de outra cidade.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Uma viagem pessoal a Woody Allen e a Paris

Quando cheguei a Paris,já pouco restava dos meus imaginários transformados em turismo. Vou lendo o Camus e o Vian, algum Marlaux. Gosto de ouvir Sidney Bechet, Brel e Bécaud. Também gosto de Débussy, Ravel e Satie.  Os impressionistas e os cubistas,bem como algumas vanguardas desses anos fazem parte dos meus quadros favoritos. Porém, a tal magia parisiense  nunca me tocou exactamente por ser apresentado como  uma espécie de museu  cruzado com postal turístico. Como se não bastasse isso, sou já da mesma geração daqueles franceses que tinham por referência a América: os esquerdistas e anarquistas seduzidos pelo jazz, pela pop-arte e pelo cinema negro.  Os rapazes da Nouvelle Vague. Até a Dolce Vitta de Fellini, um italiano perfeito, um filme maior, prestava uma homenagem indireta a uma certa americanização da Europa. Uma boa  parte do cinema europeu nunca fugiu da América.
 Houve escritores que me fizeram visitar  Paris de entre as duas guerras. Eram todos americanos e nenhum francês. De entre eles, destacou-se Hamingway.  O velho  não está na  moda e tem livros sobrevalorizados, esquecidos e menores.  Porém, não há leitor com gosto que resista a alguns contos, ao seu primeiro romance ( The Sun Also Rises- Fiesta ) e a um dos seus últimos: A Movieble Feast, traduzido entre nós como Paris é uma festa. Nos contos, Hem ombreia com a melhor tradição clássica americana. Quanto aos dois textos maiores  são um retrato belíssimo de como uma geração de emigrantes  viu Paris. São exemplares e ombreiam com Fitzgerald, este  mais famoso e menos castigado pelo tempo e pelas modas. Movieble Feast tem uma escrita enxuta,elegante e conversas fantasticas com Ezra Pound, Gertrude Steim, Fitzgerald e Silvia Plat.
Vem tudo isto a propósito, porque ontem tive finalmente tempo e vontade de ver "Meia Noite em Paris".  Sendo admirador de algus filmes de Woody Allen , era natural que tivesse feito isto antes. Porem,  tinha medo que Woody Allen se perdesse numa imagem nostálgica da boémia da Rive Gauche.
Ora o velho judeu é rijo e autocrítico como só um judeu pode ser em relação aos seus próprios afectos. De acordo com os estereótipos,  há  três tipos de judeus: os que deixam crescer longas barbas, emigram do Leste, são ortodoxos, fanáticos e anti-árabes;  os judeus de anéis nos dedos e nariz adunco que conspiram pela dominação no mundo; os judeus do Kibutz herdeiros do socialismo sionista que também acreditam no Povo Eleito.  Tudo isto é de um reducionismo pobre e ocioso  mas, como todos os estereótipos, são auto-confirmativos, logo é inutil discuti-los. Há mais dois tipos de judeus: os que não se parecem com judeus  e raramente se lembram que o são - donde é logo discutível que o sejam.   E um um  útimo tipo: o judeu crítico, desenraizado e cosmopolita que ri dos seus próprios afectos e tradições. Woody Allen pertence a este último tipo. Já o vimos caricaturar rabis, circuncisões, rituais de casamento e comida Kosher com uma mordacidade que só um judeu teria.
Porém,Woody Allen não se fica por  Brooklin. Allen é perito em desconstruir tudo o que  gosta: o amor, o teatro, o cinema de Bergman, Sakespeare, Tchecov, Paris, a intelectualidade nova-iorquina e até  Deus, a moral e a Arte.    Ele gosta dessas coisas, reserva-lhes uma certa dose de ternura ocasional mas ao mesmo tempo precisa de distanciar-se delas com uma mordacidade dolorosa.

"Maiea Noite em Paris" corria o risco sério de se tornar um pastelão para  turistas   Porém, ele sabe do métier.  A reconstrução do imaginário da geração perdida é tão eficaz como a desconstrução. Ora estamos à beira de uma nostalgia kitsch, ora
resvalamos  para o nonsense e para o ridículo.  Scott Fitzgerald e Zelda  são exactamente como as fotos de Scott Fizgerald e Zelda  e Hemingway declama, com cara de pau,  trechos inteiros de passagens de textos seus sobre a sua concepção de literatura, a importância das touradas e a virilidade. Buñuel é chapado ele próprio e Dali irrita. Algumas cenas são inspiradas no Movieble Feast de Hemingway. . Woody Allen explora a nostalgia do imaginário, adere a essa nostalgia,  e depois diz através de um personagem :  quem acredita naquilo é um bando de pilulas que sofre de tumor cerebral. Depois, introduz um final redentor mas propositadamente banal e conscientemente ambíguo:  Paris é óptimo para se e ser jovem e   escrever romances e viver numas água-furtadas com a dona de um alfarrabista que  gosta de Cole Porter.   Pode ser irritante  mas é feito com bom gosto e talento. Não sei se Woody Allen é um grande realizador (embora Annie Hall, Manhattan, Crimes e Escapadelas possam indiciar  que tenha sido ) mas é um entertainer fabuloso..
Já agora a 1º foto é da promoção do filme. O toque de impressionismo vangoghiano sobre os céus de Paris é tão interessante quanto oportunista. A segunda foto remonta à primeira leitura que fiz de Hemingway: "The Sun Also Rises" (Fiesta) para a colecção de Bolso Livros RTP. As duas senhoras são Gertrude Stein e Alice Tolkien e a última imagem é de Scoot Futzgerald e Hemingway no filme.  Por baixo: Picasso e Hemingay em Paris. Que cromos!


sábado, 4 de fevereiro de 2012

Bach por Richter

Karl Richter e Bach

Empresas saídas das universidades são cada vez mais

Diz o Público: " Os pequenos ou micronegócios da inovação estão a multiplicar-se no país. São pequenos ou micronegócios em fase de arranque intimamente ligados à inovação e, na maioria, "filhos" das universidades. Chamam-lhes spin-offs ou start-ups e são cada vez mais em Portugal. Só na Universidade do Porto (UP), esta promessa de negócio reunia cinco projectos em 2007 - hoje já soma 106. Mas há mais exemplos. . "


Acredito que que estes modelos serão uma das formas de as Universidades intervirem no tecido social que a rodeia. As Universidades são um lugar onde é possível inovar e dirigir a investigação para o desenvolvimento económico, social e comunitário. Claro que isso implica uma envolvência com o ambiente, nomeadamente institucional, que raramente é compreendido nomeadamente pelas autarquias.

Qual dos Ministros é mais deficitário no uso dos neurónios?

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