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sábado, 4 de fevereiro de 2012

PS combate caciquismo interno e propõe directas para candidato

A actual  direcção do PS vai revelando um dos seus lados mais positivos no aprofundamento da democracia interna.
Poderá existir um modelo mais autónomo de escolha dos candidatos às autarquias. A palavra "directas " não é mencionada mas pode-se adivinhar, embora existam modelos muito diferenciados de consulta dos militantes.
Alguns dos desenvolvimentos aos quais assisti reforçam a validade de algumas destas sugestões: A participação dos militantes permitiria a) o confronto de de ideias; b) a apresentação de alternativas claras; c) consistiria um rude golpe nos sindicatos de voto e nalgumas formas de caciquismo bacoco.
E, claro, o Orçamento Participativo,ou seja a possibilidade de alocar recursos financeiros através da participação colectiva como se faz em Câmaras de todo o país de todas as facções politicas.
Um dos problemas portugueses é a ausência de sociedade civil.Em conversa acalorada com um amigo que apoia este este Governo este disse-me que o liberalismo ajuda a estimular a independência do Estado.  Eu acredito que Portugal deve minimizar a dependência do Estado. Porém, não é através do salve-se quem puder liberal mas através do alargamento de práticas deliberativas e participadas de decisão. É um caminho difícil e com muitos riscos. Como tudo o que vale a pena.





quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

A violência


É absolutamente impensável a quantidade de violência que se pode colocar nas mais insignificantes actividades humanas.  O Egito incendiou a alma num jogo de bola.
E há a violência verbal e escrita. O espaço público  de uma forma geral está menos conceptual e mais irracional.   Há comentadores  que tem a  a dimensão de um mosquito e o fanatismo de um talibã.  A democracia fez-se com base no argumento como forma de dirimir o conflito, sem recurso à guerra.  É uma enorme exigência para a razão.

Gattopardo

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Parado na estação deserta....

As estações podem ser o lugar da mais trágica solidão, penso eu. Ali se encontram tristes a sonhar com o sonho que não se realizou: o Sebastião que não veio, o livro que não escreveram, o mestrado que nunca mais terminava, o partido que não cresceu,  a pequenez sempre a encolher, o comboio que nunca mais parte. Pra ali estão à espera da boleia ou da gratidão pela encomenda.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Perfume Francês

Um a amigo com sentido de humor fez-me chegar um  divertido texto escrito  numa mescla de teixosense técnico com accent français.  É uma espécie de viva a Maria e Viva o Manuel em versão magisterial. Permitam-me que vos cite quelques passages vraiment chic: "Num discurso que não é desconhecido e já revelado no passado, parece ressurgir a emissão de comunicados e cartas abertas ao leitor que pretendem alimentar dúvidas sobre a idoneidade de pessoas e promover o julgamento do seu carácter, com habitué de magistratura que, não raras vezes, ultrapassam o estrito nível político." Profundo.

Imagens do Titanic

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Desliguem durante alguns minutos

As aventuras do Governo no Reino das redes sociais.

O 1º Ministro entrou nas redes sociais. A página de Facebook chama-se O meu movimento.Aqui há uns tempos assisti a algumas observações empíricas sobre páginas sociais promovidas por organizações partidárias de juventude e organizações expontâneas de causas e movimentos cívicos. As primeiras caracterizavam-se pelo deserto de ideias e pela celebração de uma ritual que um saudoso 1º Ministro ( não, não era o meu conterrâneo José Sócrates) chamava de "Vivas à Maria e ao Manel." As segundas tinham ideias mas estavam eivadas de um derrotismo cínico que se podia categorizar, igualmente de modo jocoso: "Abaixo qualquer Maria e qualquer Manel". A celebração e a indignação são itens políticos. Porém, serão úteis?  Entre a propaganda e o derrotismo há espaço para outra coisa?  Duvido do estilo da página Facebook  do 1º Ministro . O simples facto de se auto-intitular de governamental ( há muitas formas de dizer o mesmo) e se colocar numa postura de informalidade pouco convincente revela que a classe politica não sabe usar a difícil arte de trabalhar nas redes sociais. Eu também não disponho dessa arte mas recomendo mais criatividade. O Facebook é um ambiente ingrato para a politica institucional.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Spin Doctors: nas sombras da política

Como investigador de Comunicação Politica,  o fenómeno do spin doctoring interessa-me. Os spin doctors são assessores de comunicação geralmente ocultos que  geram nos media informação favorável para as entidades com que trabalham e transmitem informação que prejudica os adversários dessas identidades. Estrela Serrano, Professora da ESCS dedica algum tempo à investigação deste interessante fenómeno e diz que ele se pode induzir a partir de notícias não atribuídas. Se as fontes  não se conhecem, então quem gerou  a notícia? Descontada a hipótese de ela resultar de uma aprofundada investigação jornalística ( o que, a ter-se verificado, se notaria na existência de fontes identificáveis), descontada também  a hipótese de fenómenos paranormais de propagação telepática da informação,sobram  eles os spins, trabalhando na sombra propagando factos políticos.
Contrariamente ao que pensa um distinto investigador meu antigo aluno, que dá pelo nome de Helder Prior e, que, para bom nome da UBI, reflecte com muito acerto sobre estes temas, não acredito que o spin se insira no modelo de propaganda. O modelo de propaganda, identificado nos anos 30, implica a existência de arautos bem conhecidos,o matraqueamento macisso das massas com slogans uniformes e claramente intencionais.  Um investigador escocês chamado Brian McNair clama que nós hoje vivemos no modelo comunicacional do caos: as mensagens dos grandes media são descodificadas nas redes sociais, há uma multiplicidade de plataformas é infinita (desde os jornais aos telemóveis e aos Ipads), a televisão por cabo espalha-se pelo mundo. Na Tunísia, o governo ditatorial censurou a internet dentro das suas fronteiras.Porém,os jornalistas da AlJazzer iam buscar os vídeos das manifestações feitos por "amadores" usando telemóveis e passavam-nos no interior da Tunísia, aonde o canal chegava via cabo a 50 % dos lares  daquele país. A mensagem da oposição saía pela porta e entrava pela janela. Dizem que a Câmara da Covilhã exerce um controlo severo  sobre a imprensa e a rádio da Covilhã. Porém, este controlo é curtocicuitado sistematicamente por blogues como este ou o Carpinteira (que até se referiu a mim como um poder fáctico, que obviamente agradeço,mas é manifestamente exagerado)  ou por jornais do concelho vizinho. Por isso, surgem novas profissões: em lugar da boa velha propaganda,aparecem profissões como os spins, gestores de redes sociais e outros. Ou seja, a propaganda e a vontade controlo existem mas já não se desenvolvem num cenário unilateral de propaganda de um único centro de poder: é o universo dos boatos, da contra-informação, das máscaras, dos silêncios geridos e das censuras ocultas. Foi por isso ( e não por egocentrismo) que criei  sempre blogues,personalizados, individuais e com fotografia.  Foi um risco calculado de exposição mas também de auto-responsabilização.
Um caso óbvio de spin é a recente propagação de notícias que dão conta do distanciamento de Cavaco em relação a Passos Coelho e Vitor Gaspar. Espalhados pelo Público e pelo Expresso encontramos os lamentos lancinantes das pessoas associadas a Cavaco Silva contra a euforia ultra-liberal de Coelho, de Vitor Gaspar e Álvaro Santos Pereira.
Este impeto social democrata do Presidente da República tem três significados, na minha modesta opinião:
a) O Presidente quer desviar as atenções da sua mensagem desastrada sobre as dificuldades que passa com as suas modestas reformas.
b) O Presidente quer ganhar espaço de manobra politica para se distanciar dos duros do PSD, aparecendo como moderador e moderado.
c) Porém, a estratégia comunicacional também é uma estratégia de poder. O Presidente da República não quer ser a rainha da Inglaterra, e quer envolver mais o PS e a UGT neste círculo. Cavaco Silva teve uma estratégia clara: correr com Sócrates, eleger o PSD e presidir a uma maioria politicamente favorável sem nunca deixar de lado a existência de pontes com o PS enquanto almofada de garantia.  Se Gaspar e Coelho falharem,   como as decisões europeias cada vez mais indiciam,  as cadeiras do poder podem transformar-se em cadeiras eléctricas.   A comunicação politica não é só marketing e quando alguém manda dizer que se distanciou de alguém, mesmo sem querer, distancia-se mesmo.
Resta-me desejar ao Presidente que não confie no Dr. Fernando Lima para estas andanças. Um bom spin  é discreto, fantasmagórico e indetectável. Nos tempos que correm em que as redes, os blogues e as televisões concorrem, a propaganda não é um slogan: é um sussurro ao qual se segue, claro, o barulho.

Os 101 melhores insultos cinematográficos de todos os tempos

Vagueando pelo You Tube, encontrei 101 melhores insultos cinematográficos da história.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Um único tribunal por distrito?

A reforma dos tribunais proposta aqui por Paula Teixeira da Cruz parece-me perigosa e demasiado assente em pressupostos de regra e esquadro, à semelhança de outras politicas que esquecem a coesão nacional. É um assunto demasiado sério para ser decidido num clique de iluminação algo "talibâmica".

Alemanha exige perda de soberania à Grécia.

Cito Agência Reuters: Para que a Grécia recebe um novo pacote de ajuda financeira, a Alemanha quer que o país abdique da soberania sobre as decisões orçamentais, transferindo-a para um comissário do Orçamento da Zona Euro. O valor do empréstimo em causa era inicialmente de 130 mil milhões de euros, mas a troika estima agora que Atenas precisa de mais 15 mil milhões

e «o novo comissário [da Zona Euro] teria o poder de vetar decisões orçamentais tomadas pelo governo grego se não estivessem em linha com os objectivos estabelecidos pelos credores internacionais».

O novo responsável, que seria nomeado pelos restantes ministros das Finanças do espaço do euro, teria a responsabilidade de supervisionar «todos os grandes blocos de despesas» do governo de Atenas.

«A consolidação orçamental tem de ser colocada sob orientação e sistema de controlo rigorosos. Tendo em conta o cumprimento decepcionante até agora, a Grécia tem de aceitar transferir a soberania orçamental para um nível europeu por um determinado período de tempo».

E ainda há mais: Atenas ficaria também obrigada a adoptar uma lei, de caráter permanente, que garantisse que as receitas do Estado seriam canalizadas, «em primeiro lugar», para os serviços de dívida.



Não sofro de germanofobia doentia. Porém, 150 anos de história demonstram que é preocupante a frequência com que as elites  alemãs  têm uma forma particular de superar o seu défice de identidade,que se traduz, por vezes,num irrealismo gritante.
Mais uma vez,  há um jogo de sombras inquietante em que é preciso descodificar os mecanismos de comunicação política. Quando se exige tanto, há que colocar a hipótese de a outra parte rejeitar os termos do acordo. Se a Grécia colapsar, um dos cenários é a Europa do Sul acentuar ainda mais a presença do manto alemão.  Será esse o seu objectivo? Por mim , acredito no discurso de Helmuth Schmidt,segundo o qual a Alemanha deve repensar a forma de existir com os seus vizinhos.  
Os economistas «de serviço» - não me refiro aos cientistas sociais que estudam uma disciplina chamada economia - sabem pouco de história.Creio que este défice de análise se deve a um fenómeno que Tony Judt referiu como esqucimento colectivo:  a crença errónea que a história começou com Ronald Reagan, a revolução liberal-conservadora e a reunificação alemã estando neste momento a chegar ao seu fim, anunciado por Fukyama. Ou seja, ideologia pura e dura.  

A História

A história não é feita de determinismos mas as conjunturas têm alguma dose de previsibilidade. Leiam-se neste link alguns cenários previsíveis para a Europa.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Considerações sobre o tempo: Pedro e o Lobo, a esquerda e a comunicação política.

Quem conhece a história popular sobre Pedro e o Lobo  lembra-se da mensagem. Não se deve ser alarmista porque se desvaloriza o peso dos avisos. Um semáforo vermelho pode acender antes do tempo.  Um dia, percebi que os partidos de extrema esquerda são como semáforos vermelhos: anunciam o perigo muito antes de ele ocorrer. Pode ser útil mas há o risco de os condutores deixarem de confiar nos sinais luminosos.
O PCP e os movimentos e partidos congregados no BE anunciaram desde os anos 70 e 80  " a perda de direitos sociais" e o "ataque às conquistas de Abril".  Na sua retórica específica,  anunciavam o fim do regime nascido dos compromissos efectuados no fim do PREC, plasmados na Constituição de 1976.
Um dia, o lobo chegou e entrou mesmo no redil. A população estava cansada de ser avisada pelo Pedro e já estava  preparada para aceitar a chegada do lobo, desde que fosse uma chegada "negociada".  Os automobilistas cansaram-se dos sinais vermelhos avariados e arriscaram entrar na estrada a destempo: se o sinal não é fiável ainda podemos avançar.  Nessa altura, PCP e BE começaram a ter alguma  espécie de razão na análise mas parece que ninguém lhes liga.  Afinal, a história do Pedro e do Lobo é uma aula de Comunicação Politica.

Considerações sobre o tempo

O tempo é uma variável estratégica na politica. A sabedoria dos povos ensina-nos a todo o tempo como a escolha do momento é importante. "Tempo para amar , Tempo para Morrer", escrevia Erich Maria Remarque. Hoje sabemos que não é bem isso: o ser humano é complicado e os tempos para amar e morrer são simultâneos.
Faz alguns muitos anos, o então muito jovem Francisco Pimentel disse na Assembleia Municipal o seguinte ditado: "As cadelas apressadas têm filhos cegos". Ao tempo, o então muito jovem Francisco Pimentel era uma espécie de figura desenraizada do universo do burgo. Como não era covilhanense, não tinha excesso de referências nem passado nem reverências. Só tinha futuro o que lhe dava uma lucidez acrescida e uma superlativa capacidade para ser "maroto" para com os adversários.  Como vítima dilecta, tiro-lhe o chapéu e  espero ter estado à altura. Não sabia por exemplo, que este ditado não é usual na Beira Baixa ou, pelo menos, não o era no burgo covilhanense.  Grande indignação  caiu na vetusta Assembleia. Os parlamentares - muitos dos quais nunca tinham escutado a expressão- quando ouviram falar em "filhos", "cadelas" e "cegos" tiveram uma espécie de desmaio cerebral.  Acontecia.
Todos estes ditados e títulos literários sobre o tempo justo são válidos para a estratégia política. Por exemplo, há um tempo para estar calado e há um tempo para anunciar candidatos.  Há quem troque.  Como a originalidade é uma arte, quem sou eu para criticar?

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Luta cívica: Carta aberta a Luís Miguel Nascimento

Eis que aqui surge um  novo Blogue. A primeira mensagem é sobre a minha cidade. Trata-se de uma carta aberta a Luís Miguel Nascimento que sairá amanhã no Jornal do Fundão e que aqui transcrevo.

 
Prezado Presidente da Comissão Política do PS
Meu Caro Amigo

Permite-me manter este trato pois não  é meu hábito confundir planos pessoais e políticos nem guardar amarguras de fel.  Como uma vez me disseste “isto é apenas política”.

O PS da Covilhã assemelha-se hoje a uma espécie  de Titanic em que ninguém sabe que pode  embater num iceberg, e como tal, afundar-se. A tripulação e o capitão seguem em frente alheios à catástrofe, sem consultarem o radar, a bússola e o astrolábio ou sejam o bom senso, a capacidade de julgamento e a frieza estratégica que caracterizam os líderes políticos.  Vinte anos depois, o PS está na mesma linha de partida em que estava quando perdeu o poder: dividido, assolado por guerras intestinas sem objectivo à vista. Só te escrevo porque ainda é tempo de arrepiar caminho antes de bater no Iceberg. Mas terás que fazer parte da solução para minimizar estragos.


Com a franqueza que geralmente caracteriza as nossas velhas relações, permite-me que te diga: “Cometeste um erro”.
Cometer erros não é um monopólio teu. Não há no PS da Covilhã quem possa, em consciência, dizer que acertou sempre. O problema é que cometeste erros capitais.

O passado

Importa regressar ao início.

Quando se gerou o processo que originou esta comissão política, o PS tinha condições objectivas para regressar à Câmara.

Em primeiro lugar, sabia-se que se verificaria uma mudança de liderança na autarquia.

Em segundo lugar, o número de descontentes da actual maioria camarária cresceria alargando a possibilidade de atracção de quadros no centro político entre as próprias elites que apoiaram a actual maioria.

Em terceiro lugar, a diminuição de transferências financeiras, as dificuldades de financiamento e a diminuição da execução de obras iriam mostrar debilidades na actual maioria. Não pensei na altura que viesse a ter tanta razão.

Finalmente, a própria disputa interna do PSD,  na ausência de um delfim forte, favorecia quem se mantivesse unido na oposição.

O que se passou

O primeiro grave erro que cometeste consistiu no lançamento de um convite  com uma antecedência sem precedentes, para encabeçar a lista do PS.  Pior, esse erro foi agravado pelo facto de o convite, não sendo uma indigitação, ter sido apresentado como uma espécie de facto consumado numa manobra pouco hábil de ocupação de terreno.
Não discuto os méritos da pessoa convidada. Discuto é a forma como isso foi feito.

Ao fazer esse convite, geraste na opinião pública uma situação de exposição extrema  tanto mais grave  quanto o percurso do teu candidato  conhecesse dissabores e   exposição mediática negativa.


Segundo, esqueceste-te  que um convite mesmo aceite é apenas um convite . Pode ser sempre confrontado com novos convites pois não tem uma deliberação de aceitação.  Isto é tanto mais verdade, quanto há eleições  para uma nova Comissão Politica antes das eleições autárquicas. Mesmo depois de dada a resposta ao convite será sempre isso mesmo: uma resposta a um convite.


Finalmente, não previste o protagonismo extremo que a pessoa convidada iria ter nomeadamente no processo de escolha do Provedor da Santa Casa da Misericórdia. Não discuto os méritos da sua candidatura nem da sua equipa. Não conheço a Santa Casa nem os seus problemas em pormenor. Porém, objectivamente, deparamo-nos com esta situação: 


De um lado, um Provedor eleito, afecto ao PS, propunha uma diminuição de direitos   e   regalias  aos trabalhadores da Santa Casa. Do outro lado, o Provedor que lhe sucedeu  é exposto nos jornais  como uma figura que tudo faz para assegurar os subsídios dos trabalhadores em atraso. Não conheço o Sr. Pedro Paiva suficientemente para aquilatar do que se passa. Reportando-me aos jornais, esta é a imagem que ressalta. Não é completamente surpresa. Para os mais atentos, torna-se óbvio que o aconselhamento económico do teu candidato evidencia um viés onde não há lugar para o humanismo  e tudo se resume,  num economês pobre e voluntarista a uma questão de” reajustamentos”.

De um lado, um Provedor eleito demitia-se do cargo quinze dias depois. Do outro, a imagem pública que resulta é a de uma pessoa disponível para enfrentar um mandato longo e difícil.

De um lado, surgiam ataques que sugeriam a existência de assessores afectos à mesma pessoa que teriam feito um estudo por uma verba interessante.  Não me pronuncio sobre os méritos do estudo nem sobre a verba alegadamente paga nem quero saber quem são os assessores.  Como não faço processos de intenção, limito-me a recordar o lugar-comum sobre a mulher de  César.

Ou seja, confirmava-se a minha previsão: uma candidatura prematura, ou um convite prematuro, obrigaria a uma exposição demasiado permanente da qual podiam resultar dissabores graves.

Finalmente, numa inexplicável fuga para à frente, decidiste  fazer um comunicado de apoio à pessoa (na sua qualidade de Provedor), o que não eras obrigado fazer.  Era a cereja degradada  no cimo de um bolo mal cozido, prematuramente saído do forno, A solidariedade fica bem. Os termos, os modos e os lugares podem transformá-la em imprudência.

Em suma, assumiste o papel de capitão de uma parte da tripulação, o que não é aconselhável para um comandante.

Adivinho (é um segredo de Polichinelo) que a breve trecho vais anunciar a aceitação de um certo convite. E ate te vais sentir bem alguns dias, tentando convencer-te a ti próprio que fizeste o que era certo. Erro teu, má fortuna, delírio ardente. Já imagino a cena: é com grande alegria que anuncio que o senhor fulano após um ano e seis meses de ponderação concluiu que aceitava ser candidato a Presidente. Com toda a boa fé, sem ironia, acho que não o deves fazer. É previsível? É. É uma boa “jogada” de curto prazo? Até pode ser.  Mas será ganhadora? E o preço? Será que os militantes ou a sua  maioria significativa apoiarão um risco que se afigura assente na teimosia e  não na ponderação prudente? E a Covilhã? E o debate de ideias?





Os perigos e as oportunidades.

Quanto aos perigos só quem ande cego e perdido nas pequenas intrigas palacianas do PS não repara que, aproveitando o imenso poder acumulado, o PSD se prepara cuidadosamente para as eleições.

Há sinais claros de reformulação de uma nova classe política no PSD incluindo independentes   Quem ler os jornais verá que o processo de alinhamento para as candidaturas está a desenvolver-se notando-se algum mérito e, sobretudo, discrição nas pequenas coincidências que se vão adivinhando. Mais, há sensibilidade para as novas relações de poder  e dinâmicas sociais que se desenvolvem no Concelho. Com todas as insanáveis divergências que, enquanto socialista, tenho em relação ao PSD, neste momento e circunstâncias, o PSD partiria a frente. Felizmente, não é ainda o momento e as circunstâncias irão mudar.

Quanto às oportunidades, não é preciso lembrar-te que o PS dispõe de um capital de personalidades que permitem uma escolha serena, ponderada e racional.

Alguém, no seu juízo perfeito, pode ignorar a consistência e a perspicácia de autarcas cujo sacrifício e  empenho em sucessivas eleições têm sido a imagem do Partido, lutando, vencendo ou convencendo em difíceis pugnas eleitorais ou em Juntas de Freguesia urbanas e rurais de grande dimensão? É possível impugnar à partida o seu contributo, o seu conselho ao menos?


Alguém, no seu perfeito juízo, pode ignorar uma lista de vereadores (não apenas os eleitos) responsável por um programa que foi acolhido como um dos melhores diagnósticos do Concelho jamais feito?

Mais ainda: alguém ignora que as circunstâncias eleitorais permitiram que alguns independentes de grande qualidade e experiência comprovada na gestão se encontram disponíveis para a actividade cívica, pois deixaram os lugares que ocupavam à frente de instituições públicas de grande exigência?

Desde já digo que não consultei nenhuma das pessoas aqui aludidas pelo que me fico por uma alusão da minha exclusiva responsabilidade. Todavia sempre acrescento quer o que referi é um segredo de Polichinelo que só não é visível par os piores cegos: os que não querem ver.


Não escondo o que penso:

O candidato do PS terá que ter experiência de gestão financeira, enorme  capital relacional político, sensibilidade para as freguesias e para o associativismo.

Mas também terá que ter uma enorme sensibilidade para as novas dinâmicas que a Covilhã conhece. As ameaças estão bem diagnosticadas. As oportunidades estão do  lado da requalificação de quadros e de uma aguda percepção de novas dinâmicas onde se incluem a UBI, a Faculdade de Ciências da Saúde, o Centro Hospitalar, o UBI Medical, o UBI Tecnical, as novas tecnologias, a recuperação do espaço público e a recuperação urbana, o Data Center , o desenvolvimento turístico inteligente e a competitividade fiscal para a atracção de recursos humanos e indústrias.

Se sei quem preenche  essas condições? Sei. Se e uma única pessoa? Não, claro que não. Há varias pessoas com características diferentes que poderão apresentar essa sensibilidade. Ora, se eu sei, como te considero igualmente atento, também sabes. 


Em face destes argumentos, suponho que a saída mais razoável exige algumas premissas:

Em primeiro lugar, é preciso dar voz aos militantes para que estes se pronunciem. Sem agressões mútuas nem hipocrisias.

Em segundo lugar, é preciso abandonar a ideia peregrina de afunilar em torno de um candidato e, serenamente, admitir outras hipóteses sem preconceitos.

Finalmente, importa que as próximas eleições internas sejam o movimento de clarificação. A questão vai ser simples: o PS quer conquistar a Câmara ou vai envelhecer na oposição?



Acredita, que tal como comecei, penso que “isto é apenas política” e como tal espero uma disputa leal, franca  e sem fel,  caso persistas no que considero serem os  teus erros.
 

Aceita os cumprimentos sinceros

Do João Carlos Ferreira Correia


Pela sua dimensão a carta sai em versão reduzida na edição em papel e pode ser vista na  integra  aqui Modernices.
 Quanto ao PS, o tempo dos partidos monoliticamente fechados terminou. Há coisas que têm que ser ditas na praça pública.

Qual dos Ministros é mais deficitário no uso dos neurónios?

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