Francisco Pimentel louva o empreendorismo dos industriais covilhanenses e desmente algumas ideias feitas. Por testemunho e algum estudo, sei de dirigentes sindicais e de operários dos anos 20 que se tornaram empresários. Muitos destes industriais vieram do nada e pouco mais possuíam do que boas ideias no tempo certo .Alguns tinham coragem politica e afirmavam a sua autonomia perante o poder politico. Muitos não obedeciam ao ruralismo ideológico que emanava de Santa Comba. .
Porém, também é preciso lembrar um operariado bem informado e participativo em que o «espírito de classe» não contrariava a ambição individual. E convirá, também, não esquecer que a pujança da Covilhã enquanto cidade se fazia com esquecimento das zonas rurais do Concelho,donde provinham os migrantes internos e externos. A Covilhã do século XX só chegou ao resto do Concelho, depois do 25 de Abril, com intervenção pública.
Onde estou em desacordo é que a retoma da pujança da Covilhã se possa dever a este governo do PSD. O empreendorismo e as sociedades civis não dependem só de um Governo, de nenhum. Bem podiam ter esperado os industriais da Covilhã. Salazar gostava tanto de empreendedores como Maomé de toucinho. Por outro lado, o que aconteceu até aos anos 80 nesta cidade é irrepetível. O interior de hoje só sobreviverá de duas formas: quando as grandes cidades se tornarem tão insuportáveis que as próprias populações ou parte delas invertam o sentido migratório e quando se atraírem capitais. Não me parece que qualquer das duas coisas se verifique sem alguma forma de esforço público.
A sociedade civil não é um produto de emanação metafísica. Para além da vontade, é preciso a esperança e o ambiente cultural , demográfico e económico que a favoreçam. É preciso circulação de dinheiro. Com a receita adoptada, isso leva muito tempo. Ora, como dizia o velho Keynes, a longo prazo, estamos mortos. Pior ainda, sem nascimentos que nos substituam.
Sem comentários:
Enviar um comentário