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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

A mensagem de Francisco Pimentel ao PSD da Covilhã publicada esta semana no JF  merecia ser ouvida  e comentada porque, neste estado de torpor induzida pela toma colectiva de chá de valeriana, continua  irreverente e lúcido.
Francisco Pimentel louva o empreendorismo dos industriais covilhanenses e desmente algumas ideias feitas. Por testemunho  e algum estudo,  sei  de dirigentes sindicais e de operários  dos anos 20 que se tornaram empresários.  Muitos destes industriais vieram do nada e pouco mais possuíam do que boas ideias no tempo certo .Alguns  tinham coragem politica e afirmavam a sua autonomia perante o poder politico. Muitos  não obedeciam ao ruralismo ideológico que emanava de Santa Comba. .
Porém, também é preciso lembrar um operariado bem informado e  participativo em que o «espírito de classe» não contrariava a ambição individual.  E convirá, também,  não esquecer que  a pujança  da Covilhã enquanto cidade se fazia com esquecimento das zonas rurais do Concelho,donde provinham os migrantes internos e externos. A Covilhã do século XX só chegou ao resto do Concelho, depois do 25 de Abril, com intervenção  pública.
Onde estou em desacordo é que a retoma da pujança da Covilhã se possa dever a este governo do PSD.  O empreendorismo e as sociedades civis não dependem só de um Governo, de nenhum.   Bem podiam ter esperado os industriais da Covilhã.  Salazar gostava tanto de empreendedores como Maomé de toucinho. Por outro lado, o que aconteceu até aos anos 80 nesta cidade é irrepetível. O interior de hoje só sobreviverá de duas formas: quando as grandes cidades se tornarem tão insuportáveis que as próprias populações ou parte delas  invertam o sentido migratório e quando se atraírem capitais. Não me parece que qualquer das duas coisas se verifique sem alguma forma  de esforço público.  
 A sociedade civil não é um produto de emanação metafísica. Para além da  vontade, é preciso a esperança e o ambiente cultural , demográfico e económico que a favoreçam.  É preciso circulação de dinheiro. Com a receita adoptada, isso leva muito tempo. Ora, como dizia o velho Keynes, a longo prazo, estamos mortos.  Pior ainda, sem nascimentos que nos substituam.

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