O tempo é uma variável estratégica na politica. A sabedoria dos povos ensina-nos a todo o tempo como a escolha do momento é importante. "Tempo para amar , Tempo para Morrer", escrevia Erich Maria Remarque. Hoje sabemos que não é bem isso: o ser humano é complicado e os tempos para amar e morrer são simultâneos.
Faz alguns muitos anos, o então muito jovem Francisco Pimentel disse na Assembleia Municipal o seguinte ditado: "As cadelas apressadas têm filhos cegos". Ao tempo, o então muito jovem Francisco Pimentel era uma espécie de figura desenraizada do universo do burgo. Como não era covilhanense, não tinha excesso de referências nem passado nem reverências. Só tinha futuro o que lhe dava uma lucidez acrescida e uma superlativa capacidade para ser "maroto" para com os adversários. Como vítima dilecta, tiro-lhe o chapéu e espero ter estado à altura. Não sabia por exemplo, que este ditado não é usual na Beira Baixa ou, pelo menos, não o era no burgo covilhanense. Grande indignação caiu na vetusta Assembleia. Os parlamentares - muitos dos quais nunca tinham escutado a expressão- quando ouviram falar em "filhos", "cadelas" e "cegos" tiveram uma espécie de desmaio cerebral. Acontecia.
Todos estes ditados e títulos literários sobre o tempo justo são válidos para a estratégia política. Por exemplo, há um tempo para estar calado e há um tempo para anunciar candidatos. Há quem troque. Como a originalidade é uma arte, quem sou eu para criticar?
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