Cito Agência Reuters: Para que a Grécia recebe um novo pacote de ajuda financeira, a Alemanha quer que o país abdique da soberania sobre as decisões orçamentais, transferindo-a para um comissário do Orçamento da Zona Euro. O valor do empréstimo em causa era inicialmente de 130 mil milhões de euros, mas a troika estima agora que Atenas precisa de mais 15 mil milhões.
e «o novo comissário [da Zona Euro] teria o poder de vetar decisões orçamentais tomadas pelo governo grego se não estivessem em linha com os objectivos estabelecidos pelos credores internacionais».
O novo responsável, que seria nomeado pelos restantes ministros das Finanças do espaço do euro, teria a responsabilidade de supervisionar «todos os grandes blocos de despesas» do governo de Atenas.
«A consolidação orçamental tem de ser colocada sob orientação e sistema de controlo rigorosos. Tendo em conta o cumprimento decepcionante até agora, a Grécia tem de aceitar transferir a soberania orçamental para um nível europeu por um determinado período de tempo».
E ainda há mais: Atenas ficaria também obrigada a adoptar uma lei, de caráter permanente, que garantisse que as receitas do Estado seriam canalizadas, «em primeiro lugar», para os serviços de dívida.
Não sofro de germanofobia doentia. Porém, 150 anos de história demonstram que é preocupante a frequência com que as elites alemãs têm uma forma particular de superar o seu défice de identidade,que se traduz, por vezes,num irrealismo gritante.
Mais uma vez, há um jogo de sombras inquietante em que é preciso descodificar os mecanismos de comunicação política. Quando se exige tanto, há que colocar a hipótese de a outra parte rejeitar os termos do acordo. Se a Grécia colapsar, um dos cenários é a Europa do Sul acentuar ainda mais a presença do manto alemão. Será esse o seu objectivo? Por mim , acredito no discurso de Helmuth Schmidt,segundo o qual a Alemanha deve repensar a forma de existir com os seus vizinhos.
Os economistas «de serviço» - não me refiro aos cientistas sociais que estudam uma disciplina chamada economia - sabem pouco de história.Creio que este défice de análise se deve a um fenómeno que Tony Judt referiu como esqucimento colectivo: a crença errónea que a história começou com Ronald Reagan, a revolução liberal-conservadora e a reunificação alemã estando neste momento a chegar ao seu fim, anunciado por Fukyama. Ou seja, ideologia pura e dura.
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